A cada novo ano que entra, milhões de brasileiros começam a se questionar se estão mesmo dentro das regras de quem precisa declarar Imposto de Renda. E esse é um momento importante, já que envolve organização e atenção às exigências da Receita Federal.

Para tirar as suas dúvidas, vamos esclarecer quem precisa declarar e por quais motivos isso é imprescindível. A ideia deste artigo do Carrefour Soluções Financeiras é trazer uma explicação acessível para que você tenha segurança ao lidar com o assunto. Vamos aprender juntos (as)?

O que é Imposto de Renda?

O Imposto de Renda é um tributo federal cobrado todos os anos sobre os ganhos de pessoas físicas e jurídicas. Sua função é informar ao governo o quanto você recebeu ao longo do ano e quais foram os seus gastos que podem ser considerados na apuração do imposto.

De maneira geral, você entrega uma declaração mostrando a sua situação financeira: salários, rendimentos, investimentos, bens, entre outros. A partir desses dados, a Receita Federal calcula se houve pagamento a mais (o que gera restituição) ou se existe algum valor a ser acertado.

Quem precisa declarar Imposto de Renda em 2026?

É importante mencionar que a declaração de 2026 considera os rendimentos de 2025, por isso as regras seguem os critérios anteriores à nova faixa de isenção mensal que passou a valer. Assim, precisa declarar quem se enquadrou em qualquer das situações abaixo:

Rendimentos recebidos em 2025

  • Recebeu rendimentos tributáveis acima de R$ 60 mil no ano;
  • Teve rendimentos isentos, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte acima de R$ 40 mil.

Operações financeiras

  • Realizou operações na bolsa de valores acima de R$ 40 mil em 2025;
  • Obteve ganho de capital com venda de bens ou direitos.

Patrimônio em 31/12/2025

  • Possuía bens ou direitos acima de R$ 300 mil.

Atividade rural

  • Teve receita bruta rural acima de R$ 60 mil.

Situações específicas

  • Passou à condição de residente no Brasil em 2025 e permaneceu assim em 31/12;
  • Recebeu rendimentos no exterior, lucros, dividendos ou teve participação em empresas/trusts estrangeiros.

E quem está isento do Imposto de Renda em 2026?

A isenção está ligada às novas faixas de renda mensal, que passaram a valer a partir de 1º de janeiro de 2026, e também a critérios legais já estabelecidos para grupos específicos.

Nesse sentido, a isenção mensal não altera, por si só, quem precisa entregar a declaração em 2026, pois ela considera os rendimentos de 2025.

Trabalhadores que recebem até R$ 5.000 por mês (a partir de 2026)

De antemão, quem recebe até R$ 5.000/mês fica isento do IR na fonte em 2026 (impacto já sentido na folha paga a partir de fevereiro/2026). A regra vale para CLT, servidores públicos, aposentados e pensionistas. 

Para rendas entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350, há redução gradual do imposto mensal. 

Beneficiários do INSS dentro do teto previdenciário (regras específicas)

Os aposentados e pensionistas que recebem até o teto da Previdência e não possuem outras rendas tributáveis têm isenção conforme critérios específicos previstos em lei. 

Pessoas com doenças graves previstas em lei

Portadores de doenças graves (como neoplasia maligna e esclerose múltipla) têm isenção sobre rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão, mediante laudo médico oficial.

Pessoas dentro da nova faixa mensal de tributação em 2026

Com a tabela atualizada, até R$ 5.000/mêsisenção na fonte; entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350, aplica-se o redutor que diminui o IR mensal (benefício decrescente até zerar aos R$ 7.350). Acima disso, não há redução adicional.

Mesmo com a isenção mensal em 2026, muitas pessoas ainda precisam declarar em 2026, porque a entrega considera o ano-base 2025 (anterior a nova faixa). Sendo assim, o efeito integral das regras de 2026 só aparece no ajuste anual de 2027 (ano-base 2026).

Como declarar Imposto de Renda?

Apesar de ser um processo repleto de detalhes, seguir uma ordem lógica e ter os documentos certos deixa tudo mais fácil na hora da declaração. Logo abaixo, você encontra um passo a passo prático e ideal para quem quer declarar o IR sem medo.

1. Separe todos os documentos necessários

Antes de abrir o programa, organize os documentos que serão usados na declaração, já que isso evita erros e ainda te faz economizar tempo. Você vai precisar de:

  • Informes de rendimentos: que empresas, bancos e fontes pagadoras enviam até o fim de fevereiro;
  • Comprovantes de despesas dedutíveis, como saúde (recibo e notas), educação, previdência e pensão alimentícia;
  • Informes de investimentos enviados por corretoras e bancos;
  • Documentos de bens e direitos: imóveis, veículos, aplicações financeiras etc;
  • Informações de dependentes, incluindo o CPF;
  • Recibos do Carnê-Leão, se você for autônomo.

2. Acesse o sistema da Receita Federal

Atualmente, a declaração pode ser feita de três jeitos:

  • Programa Gerador da Declaração (PGD) para computador e com download no site oficial da Receita;
  • Aplicativo “Meu Imposto de Renda”, disponível para Android e iOs;
  • Portal e-CAC, para quem prefere preencher tudo online

3. Escolha entre a declaração “Completa” ou “Simplificada”

  • Completa: ideal para quem tem muitas despesas dedutíveis (educação, saúde, dependentes, previdência);
  • Simplificada: utiliza um padrão automático, sem exigir o detalhamento das despesas.

Nesse caso, o programa mostra qual opção é mais vantajosa conforme os valores inseridos.

4. Preencha seus dados pessoais e dos dependentes

Aqui, inclua informações básicas como endereço, estado civil, CPF dos dependentes e outras exigências padrões. Vale lembrar que todos os dependentes precisam de CPF, independente da idade, pois essa é uma regra já consolidada da Receita Federal.

5. Informe seus rendimentos

Nesta etapa, você vai preencher: 

  • Rendimentos tributáveis: salários, pró-labore, aposentadorias, pensões, trabalhos autônomos, aluguéis, etc;
  • Rendimentos isentos: poupança, FGTS, lucros e dividendos, indenizações específicas;
  • Rendimentos exclusivos na fonte: 13º salário, alguns tipos de investimentos e outras categorias.

6. Declare bens e direitos

Já aqui, entram informações como:

  • Imóveis,
  • Veículos,
  • Investimentos,
  • Contas bancárias,
  • Saldo da previdência privada,
  • Participação societária,
  • Bens no exterior.

Que são dados que ajudam a Receita Federal a acompanhar a evolução do seu patrimônio.

7. Informe dívidas e ônus reais (se houver)

Inclua financiamentos, empréstimos ou dívidas acima dos limites obrigatórios, para manter a consistência patrimonial.

8. Preencha e revise as deduções

Inclua despesas que podem reduzir o imposto devido, como:

  • Plano de saúde,
  • Consultas e exames,
  • Educação própria e de dependentes,
  • Previdência oficial ou privada (PGBL),
  • Pensão alimentícia judicial.

A partir disso, o sistema automaticamente calcula o impacto no imposto de renda.

9. Verifique pendências e inconsistências

O programa aponta possíveis erros, campos obrigatórios não preenchidos e divergências. Então, quanto mais limpa for essa etapa, menor a chance de cair na malha fina.

10. Envie a declaração

Após revisar tudo:

  • Clique em “Transmitir”;
  • Salve o recibo de entrega, que é fundamental para a comprovação futura.

11. Acompanhe a restituição (se tiver direito)

A restituição segue lotes mensais, priorizando quem entrega mais cedo, idosos, pessoas com deficiência, professores e quem usa a declaração pré-preenchida. Os lotes seguem a ordem determinada pela Receita, com início entre maio e junho.

12. Consulte o status no e-CAC

Depois de enviar, você pode acompanhar a declaração online no portal e-CAC, verificando pendências ou eventuais inconsistências comunicadas pela Receita.

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Em caso de dificuldades, consulte um contador

Depois de entender quem precisa declarar Imposto de Renda e do passo a passo, tudo começa a ficar mais claro, né? A verdade é que declarar pode até parecer complicado à primeira vista, mas, com organização e informação, você consegue dar conta de tudo.

E, se em algum momento surgirem dúvidas mais específicas, documentos difíceis de interpretar ou situações diferentes daquelas que mostramos aqui, está tudo bem. Nessas horas, contar com um contador é sempre uma escolha segura.

Enfim, esse apoio vai garantir que tudo seja enviado certinho e ainda traz aquela tranquilidade de saber que a sua declaração de IR está em boas mãos.

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